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Santa Casa da Misericórdia de Elvas em cinco séculos de História


No ano de 1498, os procuradores de Elvas, João Roiz de Abreu, fidalgo da Casa Real, e Álvaro Pegado, cavaleiro, solicitam nas Cortes que se reunissem num só hospital, no meio da antiga vila, os quatro pequenos hospitais ou albergarias que existiam em Elvas, para que os pobres fossem melhor agasalhados. A 6 Março recebem autorização do rei D. Manuel I, para a junção dos hospitais de Elvas, devendo tal ser ordenado por Bastião Vaz, Contador das obras e terças na Comarca de Évora.

Nos finais de 1501, início de 1502 é a data provável fundação da Misericórdia de Elvas. A 24 Abril de 1502 é data do documento mais antigo que se têm conhecimento, referindo a Misericórdia de Elvas, correspondente ao testamento de Gonçalo Sanhudo, escudeiro, legando 5 000 réis à Irmandade.

A 1 Setembro de 1502, concessão de privilégios pelo rei D. Manuel I e a 5 de Fevereiro de 1505, carta recebida para gozar os mesmos privilégios da Misericórdia de Lisboa.

A 20 Dezembro de 1516, data do Primeiro Compromisso da Misericórdia, a exemplo das restantes no país e por carta régia de 2 de Agosto de 1543, é fixando o número máximo de cem irmãos para constituírem a Irmandade.

Iniciadas as enormes obras no edifício da igreja e hospital, por volta dos anos de 1555 e 1556, sendo o culto transferido temporariamente para a Igreja da Madalena a Nova. No ano de 1562, continuavam as obras, a igreja ainda não estava concluída, visto que a eleição do Provedor e Irmãos decorreu na Igreja da Madalena, onde estava a Confraria da Misericórdia, por se achar incapaz o seu prédio. A eleição ocorrida a 2 Julho de 1566 dos Irmãos já ocorreu na nova igreja da Misericórdia.

A criação da Confraria da Irmandade do Amparo, no ceio da Misericórdia, ocorreu a 1 de Setembro de 1589, constituída por 108 homens, sendo o seu juiz o provedor da Misericórdia, D. António Mendes de Carvalho, primeiro Bispo da diocese de Elvas. No ano de 1590 é concedida uma Bula papal aprovando a constituição da Irmandade do Amparo e concedendo-lhe os mesmos privilégios que a do Hospital do Santo Espírito em Saxia, Roma. Os seus primeiros Estatutos datam de 10 Setembro de 1592.

A Mesa decide-se por criar uma botica ou farmácia, a 3 de Julho de 1721, devido ao grande dispêndio que se fazia com os medicamentos para doentes do hospital, até ali provindos do Convento de São Domingos. Para tal, aproveitou-se o piso térreo da Rua da Feira. A farmácia do Hospital da Misericórdia foi encerrada pela Mesa Administrativa em Julho de 1919.

No século XVIII com o apoio mecenático do rei D. João V, decorre uma profunda reforma no edifício contiguo à Igreja para melhor acomodo dos serviços do Hospital. Foi determinado, em 1742 a sua demolição e a construção de um novo edifício, concluído a 17 de Junho de 1752 e os doentes regressaram ao novo às suas camaratas hospitalares. A Sala do Consistório da Misericórdia foi mantida na sua estrutura e espacialidade originais, no primeiro andar do hospital, com um altar de mármore barroco e um silhar de azulejos azuis e brancos representando passos da vida de Santa Isabel, figurando as seguintes cenas: Nascimento de Santa Isabel, Casamento, Aparição do Anjo a Zacarias, Visitação, Nascimento de São João, Circuncisão, Virgem e Santa Isabel e Morte da Virgem. Nos azulejos dos vãos das janelas pintaram-se as imagens de eremitas. Actualmente, a Sala do Consistório é um dos espaços de exposições do Museu de Arte Contemporânea, abrindo-se ao diálogo entre expressões artísticas, da arte setecentista à arte contemporânea.

Seguiu-se uma reforma no interior da Igreja, no primeiro quartel do século XIX. Entre os anos de 1802 a 1813 as capelas colaterais, que eram de talha dourada, foram substituídas por mármores de Borba.

Várias foram as iniciativas da Mesa Administrativa, para a mudança de instalações do Hospital da Misericórdia, a primeira ocorrida em 1835 e que se seguiram ao longo dos séculos XIX e XX. Justificando a falta de capacidade em albergar os enfermos pobres que ali afluíam, não ter enfermarias para doenças que exigiam a separação dos doentes, carecendo de uma enfermaria de convalescentes, e não ter acomodações indispensáveis para o bom serviço da Misericórdia.

A Misericórdia de Elvas à semelhança das restantes congéneres portuguesas conheceu as dificuldades, económicas, sociais e politicas que se verificaram por consequência de uma sucessão de leis publicadas durante os governos da Monarquia Constitucional. A ofensiva liberal encetada desde o século XIX, conjugada com as novas leis administrativas da Primeira República, provocaram situações de rutura de vária ordem na Misericórdia de Elvas.

Deve-se à Misericórdia de Elvas e do seu provedor Estêvão Palhinha de Brito Falé, a realização do 1.º Congresso das Misericórdias Portuguesas, realizado em Lisboa em 16 de Março de 1924. Esteve em causa a grave situação financeira em que se encontravam as Misericórdias portuguesas, para o mote, de uma reunião magna, com a participação de representantes das diversas Santas Casas de Portugal.

Entre os anos de 1938 e 1939 realizam-se importantes obras na reforma do edifício do Hospital, com a regularização das enfermarias, criação da sala de operações, de tratamento, quartos particulares, transformação da cozinha, etc. Ainda no ano de 1939 é inaugurada uma sala com os instrumentos e aparelhos de cirurgia. Novas obras decorreram em 1946 com a remodelação do espaço onde anteriormente estava a Sopa dos Pobres para instalação do novo banco do hospital, além de outras beneficiações nas enfermarias.

O Hospital da Misericórdia passa a dispor de qualificação de “Hospital Distrital”, por despacho do Secretário de Estado da Saúde e Assistência de 20 de Março de 1972. Esta alteração veio no contexto da política de reorganização da assistência social e hospitalar do Estado Novo.

Na sequência da Revolução do 25 de Abril de 1974, a Misericórdia viu-se privada das antigas instalações e do seu histórico Hospital, conforme determinação do Decreto-Lei n.º 704/74, diploma que determinou a passagem dos hospitais centrais e distritais pertencentes a pessoas colectivas de utilidade pública administrativa para a administração do Estado. Após a transferência dos serviços hospitalares do antigo edifício, em Março de 1994, para as instalações do novo Hospital Santa Luzia de Elvas, o edifico ficou devoluto, tendo sido entregue à Santa Casa em Janeiro de 1995.

As instalações do antigo Hospital e Consistório da Misericórdia de Elvas, foram alienadas depois de quatro séculos para dar lugar ao actual Museu de Arte Contemporânea. O mesmo ocorreu no último quartel do século XX, com outros bens que foram necessários alienar, para fazer face as dificuldades económicas, no cumprimento da sua função prestando auxílio às pessoas.

A Misericórdia de Elvas, instalou-se com o seu Lar, na Quinta do Vale de Marmelos, onde hoje se encontra com os serviços administrativos, sala de consistório e demais serviços de alojamento dos utentes.

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